GOALBALL BRASILEIRO, UM SALTO PARA CONQUISTAS

Caros amigos, principalmente, aos "goalballistas" brasileiros,

 

Foi com uma grande alegria que todos nós acompanhamos a participação do goalball brasileiro, masculino e feminino, na Copa do Mundo para jovens da IBSA, na Hungria, nesta última semana. E os resultados, que foram bons inclusive, não mostram somente o estágio de amadurecimento de nosso goalball, mas também a força e respeito que alcançamos.

Não podemos desconsiderar de forma alguma o trabalho realizado antes, em especial, quanto ao fomento e desenvolvimento do esporte. No entanto, é fato que até 2010, o goalball brasileiro não era respeitado, talvez, mesmo já tendo participado de jogos paralímpicos nos ambos os sexos.

E quando assumimos a CBDV, de fato em 2011, criamos claros objetivos, entre eles, o desenvolvimento de nossos esportes de modo competitivo, sendo respeitado em todas as competições que estivéssemos. E sobre tudo isso, queria, aproveitando a participação de nosso goalball na Hungria, falar sobre o esporte.

Nossa primeira participação em 2011, na Turquia, sem a participação dos principais times, foi de nono e décimo, nos jogos mundiais da IBSA. Eu digo a vocês que fiquei descepcionado com tudo aquilo e ao retornar, conversei com os técnicos, à época, e definimos um plano claro. Era ousado, mas tinha um olhar crítico, com o cenário bem definido e uma dose de sofrimento, já que não possuíamos os recursos que precisávamos.

Sabíamos que era necessário treinar forte, em grande quantidade, frequência e intensidade para acompanhar o jogo intenso dos países de ponta naquele esporte e para ampliar o entendimento do jogo pelos nossos jogadores. Sabíamos também que tínhamos um grupo de jogadores bons, mas com alguma idade, alguns jovens sem experiência e outros jogadores que realmente já haviam oferecido seu máximo para o selecionado brasileiro. E sabíamos que era necessário competir, participar de campeonatos, viver o goalball em alto nível. Tudo isso sem recurso, já que era necessário manter  e talvez ampliar as ações nacionais, como regionais, brasileiro e treinamentos, além de capacitações, disseminação do esporte entre outras ações.

E os resultados vieram bem rápido. Campeões e vice-campeões no parapan em Guadalajara, mesmo submetendo os atletas da seleção a estrutura não muito adequadas, e também, não conseguindo fazer um brasileiro com estruturas que eu considerasse minimamente necessárias.

Logo no ano seguinte, veio a prata do masculino, em 2014, o ouro do masculino e o quinto lugar do feminino, em 2015, ouro no masculino e feminino, e em 2016, terceiro e quarto lugares, para masculino e feminino. Éramos, enfim, respeitados e nossos resultados realmente nos qualificavam para tal.

Tudo isso foi possível pela entrega dos atletas, técnicos da seleção; pelo apoio e união da modalidade (atletas,equipes, técnicos e dirigentes); pelos profissionais que passaram pelas coordenações; pelos planejamentos realizados, vistos e revistos; pelo apoio do CPB, Caixa e ministério; mas também, pela vontade de todos de fazer um esporte mais forte e respeitado.

Para alcançar tudo isso, não abrimos mão de esforços para levar nossos jovens para os eventos IBSA, como este que terminou agora a pouco na Hungria. Foi em um evento deste, em 2011, em Colorado, USA, que surgiu o Leomon, um dos grandes jogadores da modalidade no mundo. Foi em um igual evento, na mesma cidade, que em 2013, surgiu Vitória, Zé Márcio, Parazinho, Alex Melo... E este ano, antes mesmo da participação destes atletas na Hungria, eles já haviam sido campeões no parapan juvenil em SP e ano passado, no Equador, jogando contra atletas adultos, mas iniciantes, as duas equipes foram vencedoras.

O resultado destes meninos e meninas na Hungria, segundo colocado para os meninos (após terem conquistado o terceiro em 2013 e sexto em 2011) e terceiro colocado para as meninas (após a segunda colocação em 2013), mostra este trabalho sério e continuado que o esporte está trilhando, renovando suas estrelas e apontando para um futuro tão ou mais brilhante que o presente.

E este caminho só se concretiza com a seriedade e o planejamento, com o olhar sério para todas as vertentes do esporte e com a capacitação.

Sobre este último ponto, trabalhamos forte entre 2011 e 2012, em cursos de técnicos e para árbitros, durante os regionais, buscando apresentar a metodologia que queríamos seguir. Este talvez seja o motivo para avançarmos tão consistentemente. Em 2015, trabalhamos forte em um curso mais alto nível durante o brasileiro da modalidade e, ano passado, durante os jogos paralímpicos, possibilitamos a participação dos principais agentes do esporte durante aquela grande festa paralímpica, onde eles puderam acompanhar o esporte em seu mais altíssimo nível e levar aprendizados e conhecimentos importantes para a formação e treinamento de novos atletas.

Após tudo isso, esperamos a participação do Brasil no panamericano da modalidade, em SP, no fim do ano, aliás, evento que tivemos a oportunidade de negociar, por acreditar que pós jogos paralímpicos, é essencial que consigamos manter o Brasil como destino de grandes eventos, aumentando a exposição, reduzindo custos de deslocamento para nossas seleções e fortalecendo cada vez mais a estrutura mestre que precisamos para nos mantermos no topo do esporte.