O Goalball e a Resistência Fluminense frente à Concentração de Investimentos Esportivos em São Paulo

Panorama Paralímpico

 

Por Sandro Laina

Em 22/06/2018

 

Caros amigos,

 

Primeiramente, gostaria de agradecer a oportunidade de retornar a este espaço, mesmo que somente desta vez.

Em segundo lugar, parabenizar as equipes fluminenses pela importante participação no Regional Sudeste, de 14 a 17 de junho, onde nossas equipes conquistaram os títulos e vagas para a principal série do esporte nacional.

Enquanto as equipes do IBC foram campeãs no masculino e feminino, a URECE foi vice-campeã no masculino, todas as 3 equipes conquistaram vaga para a série A de Goalball que acontecerá no incrível CT Paralímpico, em São Paulo, em novembro.

Estas conquistas são ainda mais valorosas por conta da falta de investimento no esporte, especialmente, no esporte paraolímpico aqui no Rio de Janeiro após os Jogos Rio-2016, mas também pelo forte investimento, a meu ver concentrado até, em São Paulo, claramente atraído pelo CTPB.

Enquanto as questões políticas e econômicas castigam os investimentos no estado fluminense, São Paulo, especialmente no esporte paraolímpico, atrai atletas, profissionais e projetos para colocar em atividade o CTPB. Isso é totalmente importante e necessário, no entanto, o investimento feito quase que exclusivamente com recursos do CPB acabam por aumentar a concentração dos recursos do movimento paraolímpico em São Paulo, reduzindo o investimento no desenvolvimento por todo país.

Não se nega a execução de sugestões antigas, como as capacitações regionais, por exemplo, mas é fato que os projetos de formação paraolímpica aplicados no CTPB, realizados em uma estrutura de primeiro mundo, com os melhores profissionais, muitos captados em outros estados, e em um estado com grande capacidade de investimento, como São Paulo, faz a balança tender muito fortemente para que em pouco tempo, a concentração paraolímpica, que devia ser cada vez menor, aumente. E de modo algum, somos contra os projetos, mas que algo similar, em menor escala talvez, pudesse ser aplicado em estruturas pelo Brasil, e temos boas estruturas, como o próprio IBC, no Rio de Janeiro.

Neste sentido, nossas conquistas são valorosas. Elas trazem um ânimo amais a nossas equipes, bem como a possibilidade de se buscar novos projetos.

É importante destacar o esforço do IBC para se buscar soluções para a perda de receitas que antes sustentavam o esporte para cegos naquelas bandas. Mas que a necessidade de se formar novos atletas, bem como repatriar antigos e valorosos campeões de outras épocas, possam nortear os trabalhos que mantenham no rumo das vitórias esportivas o nosso grandioso IBC, gerando oportunidades e abrindo portas inclusivas, como o esporte sempre fez e faz com muito mais efetividade nos tempos atuais.

 

Notas rápidas:

 

  1. Brasil sagrou-se bicampeão mundial de goalball masculino em Malmo, Suécia. Lá estava um ex-aluno do IBC, Alex, conhecido por Labrador, que lamentavelmente joga por Santos;
  2. Também em Malmo, a equipe feminina do Brasil ficou em terceiro lugar no mesmo mundial. E o IBC estava bem representado com Ana Carolina Duarte, ex-aluna que joga pela APADV, de SP e Alaine Marques, ex-aluna e esta sim, ainda jogando no IBC. Ambas as equipes conquistaram vagas antecipadas para a Paralimpíada de Toquio;
  3. Já em Madrid, a seleção brasileira de futebol de 5 sagrou-se pentacampeã.

 

Parabéns a nossas seleções, especialmente, aos ex-alunos do IBC que participaram destas conquistas.

 

Coluna publicada no Jornal Contraponto da Associação dos Ex-alunos do Instituto Benjamin Constant - Edição junho, 2018