UM ANO ATRÁS, A GRANDE FESTA COMEÇAVA!

Caros amigos,

 

Eu, neste dia 07 de setembro, um ano atrás, comemorava o dia de maior felicidade de minha vida esportiva, afinal, era o dia da cerimônia de abertura dos Jogos paralímpicos do rio de Janeiro. Sim, aquele dia foi maior que as conquistas douradas que tive, foi maior que momentos memoráveis que passei. Era a realização de um sonho: o sonho de ter os jogos em meu país, em minha cidade, em meu estado! Era o sonho dos jogos que deixariam o legado paralímpico que tanto esperávamos: o do reconhecimento.

Dia 7 de setembro de 2016, no maracanã, começava o evento que trouxe, apesar de tudo, a visibilidade redentora do esporte paralímpico no Brasil. As conquistas, as medalhas, a participação dos atletas brasileiros fizeram todos se emocionarem.

Sabemos que o esporte paralímpico não começou em 2016, muito menos, terminava ali. Nossas conquistas, a participação brasileira, os jogos paralímpicos já aconteciam a tempos. Mas a sociedade brasileira, por vários motivos, não conheciam a gente, o nosso esporte. Agora, com certeza, conhecem!

Apesar das muitas promessas não cumpridas sobre infraestrutura, acessibilidade, universalização do esporte, política esportiva e muitas outras; apesar dos lamentáveis casos recentes sobre compra de votos; apesar das várias investigações sobre corrupção, propinas e mau uso de recursos públicos; apesar de tudo isso (e que lamentavelmente não podemos deixar de, ao menos, mencionar), as paralimpíadas sim, trouxeram muitos ganhos para nosso esporte paralímpico e para os atletas.

Primeiramente, podemos falar da conquista de 72 medalhas, um número jamais alcançado em edições paralímpicas.

Em segundo lugar, e talvez, a mais importante das conquistas, a visibilidade alcançada. Foram records de espectadores no parque olímpico, foram records de telespectadores nas transmissões. Foram pessoas emocionadas, torcendo sem considerar que ali, naquelas arenas, atletas com alguma deficiência competiam. Está aí o maior legado intangível dos jogos: a visibilidade, o reconhecimento. É difícil encontrar alguém que não esteve no parque olímpico ou não tenha acompanhado ao menos uma participação brasileira durante os jogos.

E, por fim, algo bem tangível, e que sim, é conquista alcançada por conta dos jogos, o maravilhoso Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, em São Paulo, cuja estrutura é magnífica e, bem usada, servirá como base para o maior desenvolvimento esportivo do movimento paralímpico em nosso país.

Eu tenho certeza que se as condições econômicas brasileiras fossem outras, neste momento, o legado intangível do reconhecimento seria muito mais sentido, com resultados claros e palpáveis. Mas quero acreditar que até Tokyo, com boa gestão e dedicação de nossos dirigentes, avançaremos, mais e mais...

E fico muito feliz por ter contribuído, desde o início, com a concepção dos jogos. Feliz também com as conquistas, os resultados esportivos e sociais alcançados.

E, durante estes 11 dias, até o dia 18 de setembro, buscarei contar uma série de fatos até o encerramento dos jogos.

 

A propósito, ontem foi publicado o resultado do chamamento para a gestão do centro de treinamento. O CPB foi o único interessado e apresentou um valor de 17.440.000,00 reais. Bem abaixo do valor que o conselho deliberativo separou no orçamento para este fim, o que significa que o CPB tem uma grande margem para fazer muito mais, inclusive redistribuir parte dos recursos restantes, ao menos em projetos das próprias confederações.

 

Até amanhã!